Mora lá uma miúda muita gira ao lado direito de gente que trabalha e outra reformada de esquerda.Dizem que trabalha na noite a fazer servicinhos para pagar o nome de doutora que lhe hão-de chamar um dia, antes mesmo do nome que a madrinha lhe pôs no baptismo.Antes trabalhou lá no centro comercial, saltava semestralmente de loja em loja quando não lhe renovavam o contrato.Mas agora deixou-se disso.
Quando sai de casa sente o calor dos olhares a fazer suar o pescoço e a orelha a queimar do palavreado que por ela dentro entra, más-línguas nada fazem em casa a não ser a sopa e passam o dia a ver que passa para lhes falarem mal.
Ela não se importa, quando precisarem dela para uma qualquer maleita vai lembrar-se de tudo o que ouvia e lhe queimava o peito, bem ali do lado esquerdo.Seguiu medicina porque tinha a certeza que o pai tinha falecido por erro de diagnóstico e poder provar o contrário era a razão pela qual não se importava da faladura nem do trabalho de barmaid que ia fazendo nos bares e discotecas da região.

Sem comentários:
Enviar um comentário